A curadoria de peças com passado e identidade própria que insere camadas de memória, repertório e sustentabilidade aos projetos contemporâneos

Alguns garimpos parecem guardar histórias silenciosas. Uma mesa com marcas de uso, uma cadeira de design esquecida em um antiquário, uma luminária que atravessou décadas. No universo de arquitetura de interiores, esses achados são capazes de transformar ambientes ao acrescentar camadas de história, autenticidade e emoção, qualidades que dificilmente surgem apenas a partir de peças recém-saídas de fábrica.
Para o designer de interiores Fabricio Frezza e o arquiteto Gabriel Figueiredo, da Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores, o garimpo sempre fez parte do processo criativo da dupla. “Essa é uma prática muito antiga que segue com a capacidade ímpar de ‘perfumar’ com exclusividade os ambientes”, afirmam.
Segundo eles, a escolha dessas peças envolve emoção e sensibilidade para itens aparentemente menos comerciais e às vezes raros. “Um olhar afetivo e apurado nos permite sentir a essência destes itens de valor inestimável, além do fato de envolverem a mística relacionada à época em que surgiram. Esse sentimento de raridade entrega emoção”, destacam.
Personalidade e repertório nos ambientes

Promover a curadoria de objetos únicos adiciona significados que dificilmente seriam conquistados apenas com peças novas. Na visão de Fabricio e Gabriel, esse trabalho também expressa uma assinatura ao projeto. “Para nós, trata-se de mostrar ao nosso cliente um repertório cultural mais amplo, que, por sua vez, denota coragem, bom gosto, segurança estética e emocional“, legitimam.
Onde encontrar boas peças?

Feiras, antiquários, bazares e leilões são caminhos mais tradicionais para quem deseja garimpar móveis, peças e objetos. “Nos especializamos em visitar e conferir as oportunidades em endereços tanto aqui no Brasil, como no exterior“, dizem Gabriel e Fabricio.
Uma sugestão interessante mencionada por eles é acompanhar as vendas organizadas por famílias que estão se desfazendo de parte de seus acervos, os famosos ‘Família Vende Tudo’. “Nós adoramos essas ocasiões, uma vez que podemos verificar in loco para apreciar e definir se aquilo que nos chamou a atenção merece a compra. Sem contar que podemos pechinchar e conseguir uma condição melhor”, comentam.
Mas o mercado não fica restrito aos endereços físicos. Com as plataformas digitais, os profissionais também aproveitam os leilões onlines – entretanto, eles advertem sobre a relevância de pesquisar sobre a reputação dessas empresas. “Por eles conseguimos acessar catálogos bem variados e atraentes e podemos ‘paquerar’ com antecedência aquilo que gostamos”, contam. Com as imagens e valor do lance inicial, é possível promover uma organização estética e financeira, dentro de seu interesse.
Como avaliar um bom garimpo antes de comprar?
Na ordem dos fatores elencados pelo arquiteto e o designer de interiores, encontrar uma peça interessante é apenas o primeiro passo. Todavia, antes de concluir a compra eles enumeram outros critérios a serem estudados como o preço, estado de conservação e potencial de uso.
Uma prática simples recomendada por eles é comparar essas informações com outras peças não iguais, mas às vezes semelhantes. “Com uma foto de celular já conseguimos fazer uma rápida consulta na internet apenas para termos um referencial”, explicam.
No caso do mobiliário em madeira, a análise da estrutura é imprescindível e, para tanto, Fabricio e Gabriel recomendam um olhar minucioso. “No caso de uma poltrona, por exemplo, vale sentar-se e experimentar. Também fazemos questão de verificar possíveis sinais de cupins, ferrugens ou a necessidade de reparos incomuns como estratégia para evitar problemas futuros“, advertem.
Restauros e marcas do tempo

Um móvel de época não implica na regra de, necessariamente, em passar por um restauro – desde que sua estrutura esteja segura. Por outro lado, o processo é opcional, com exceção de obras de arte como pinturas, gravuras, aquarelas e esculturas que possam vir a demandar uma intervenção especializada para garantir sua conservação e valorização.
A maestria de equilibrar o antigo com o novo
O segredo, segundo os profissionais, está no equilíbrio e na coerência entre os elementos. No entendimento deles, é determinante direcionar um olhar carinhoso para entender qual o sentido que cada elemento acrescentará ao décor, independente de ser uma peça que ultrapassou gerações ou algo completamente novo. “Essa harmonia é capaz de criar ambientes vivos, dinâmicos e muito interessantes”, sintetizam.
Garimpo e sustentabilidade caminham juntos

Além de enriquecer os projetos, o garimpo também é considerado uma atitude sustentável, uma vez que a prática reduz o descarte e prolonga o ciclo de vida das peças.
Memória afetiva e valor emocional

Mais do que seguir tendências, o interesse por móveis antigos também se conecta à memória afetiva que determinadas peças carregam. Para Fabricio e Gabriel, o valor emocional varia de pessoa para pessoa. “O cliente que não carrega traumas do ambiente vivido costuma ter um olhar mais poético e alimenta boas lembranças”, explicam.

Sobre Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores
No mercado há mais de 20 anos, a dupla de profissionais Fabrício Frezza e Gabriel Figueiredo conta com uma equipe multidisciplinar que faz parte do escritório Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores, assina projetos de arquitetura e design de interiores nas áreas residenciais, corporativos e institucionais. A dupla já participou de importantes mostras de decoração, entre elas, CASACOR Ribeirão Preto e CASACOR São Paulo, além de ter projetos publicados nos maiores veículos nacionais do segmento.
Seu principal objetivo é atender às expectativas de cada cliente, traduzindo seus sonhos e concretizando-os. Transitando pelos estilos, trabalham com grande apuro e cuidado ao lado da equipe para atingir um resultado marcado pelo olhar atemporal e, sobretudo, pela personalidade de cada cliente e projeto.




